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sábado, 13 de março de 2010

CARREGO AS ESTAÇÕES COMIGO


Carrego as estações comigo
e tenho as mãos cansadas.
(No bolso esquerdo um riacho murmura.)
Ali, onde pequenas pedras se acumulam,
uma canção exala seu vapor,
depois se perde.

Jardins de primavera circulam no meu corpo,
um céu de ouro verte seu perfume
e um vento ignorado agita suas asas.
Pasto de segredos,
mescla de memória e desejo,
meu corpo caminha com a chuva
(carrego as estações comigo),
à procura do sonho de uma nuvem fria.

Tantas folhas trago nos braços
que um pássaro, solidário, se oferece
para carregar as estações comigo.
Do peito aberto os meus jardins se vão
e o pássaro me ajuda (memória
e desejo) a semear meu corpo.

Ali planto meus braços,
debaixo daquelas árvores meus olhos ficam,
os pés, roídos pela terra, penduro numa árvore
e o tronco multiplico em cem pedaços –
lá vai, junto com as pedras,
no bojo do riacho antigo.

E pois que carrego as estações comigo,
os lábios deixo além, no descampado,
e peço ao pássaro que pelos cabelos atire
o que sobrou de mim
àquele mar onde me espera a memória
(e o desejo) do tempo em que não soube
carregar as estações comigo.


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quarta-feira, 3 de março de 2010

SER MAIOR


Se pudesse ser maior,
Abraçaria os céus.
Um beijo na lua,
Um abraço nas nuvens.
Enlaçaria os cabelos
Com as almas do infinito...
O limite é menor agora,
Na tentativa de alçar vôo...
Sou pequena, pequena como uma formiga
Que carrega uma grande folha na cabeça,
Que anda na trilha por instinto...
Mas o pensamento corre à frente,
Deixando uma comprida esperança....


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