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sábado, 27 de março de 2010

EU ERA O SOL

Em silêncio nos olhávamos por cinco, dez minutos


Ela com as mãos na altura dos quadris

Agarrando, torcendo a própria saia

E corava pouco à pouco até ficar bem vermelha

Como se em dez minutos passasse por seu rosto uma tarde de sol

A um palmo de distância dela, eu era o maior homem do mundo

Eu era o Sol




Chico Buarque
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quinta-feira, 25 de março de 2010

SOLIDÃO, POR NIETZCHE


Odeio quem me rouba a solidão sem em troca

me oferecer verdadeiramente companhia.

Por não prezarem as coisas que prezo!

Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente,

olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou

e que meu único companheiro é o tempo.



Quando Nietzsche Chorou


Companhia é :

Compartilhas dos mesmos gostos

Se fazer ouvir

E saber ouvir

Entender o outro

Mesmo que seja diferente

O seu modo de ver

De ser e sentir

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terça-feira, 23 de março de 2010

VIAJORES


Para minha querida amiga Sissi.
Partida e Chegada

Quando observamos, da praia,
um veleiro a afastar-se da costa,
navegando mar adentro,
impelido pela brisa matinal,
estamos diante de um espetáculo
de beleza rara.

O barco, impulsionado
pela força dos ventos,
vai ganhando o mar azul
e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e
só podemos contemplar
um pequeno ponto branco
na linha remota e indecisa,
onde o mar e o céu se
encontram.

Quem observa o veleiro sumir
na linha do horizonte,
certamente exclamará:
"já se foi".
Terá sumido?
Evaporado?

Não, certamente.
Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo
tamanho e com a mesma
capacidade que tinha quando
estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes
de levar ao porto de destino
as cargas recebidas.

O veleiro não evaporou, apenas
não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante
em que alguém diz:
já se foi",
haverá outras vozes,
mais além,a afirmar:
"lá vem o veleiro".
Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando
a preciosa carga de um amor
que nos foi caro, e o vemos sumir
na linha que separa o visível
do invisível dizemos:
"já se foi".
Terá sumido?
Evaporado?

Não, certamente.
Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua
o mesmo.
Sua capacidade mental
não se perdeu.

Suas conquistas seguem
intactas, da mesma forma que
quando estava ao nosso lado.
Conserva o mesmo afeto
que nutria por nós.

Nada se perde, a não ser
o corpo físico de que não mais
necessita no outro lado.
E é assim que, no mesmo
instante em que dizemos:
já se foi", no mais além,
outro alguém dirá feliz:
"já está chegando".

Chegou ao destino levando
consigo as aquisições feitas
durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe
nem oferece mudanças
espetaculares, pois a natureza
não dá saltos.

Cada um leva sua carga
de vícios e virtudes, de afetos e
desafetos, até que se resolva
por desfazer-se do que julgar
desnecessário.

A vida é feita de partidas
e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece
ser a partida, para outros
é a chegada.

Um dia partimos do mundo
espiritual na direção do
mundo físico; noutro partimos
daqui para o espiritual, num
constante ir e vir,
como viajores da imortalidade
que somos todos nós.
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DIGITA-ME


Digite no teclado do meu corpo
mensagens de carinho.
Acesse o diretório de minh'alma
teclando de mansinho.
Copie o seu arquivo de emoção
no disquete azul dos meus desvelos
onde está formatado o coração.
Chame o meu programa favorito
restaure o documento dos meus sonhos
e escolha o mais bonito.
Traga o cursor do pensamento
para o bloco marcado de esperança
e grave na memória de sua vida
Amor e Dança.
Salve tudo o que é texto de alegria
Configure o que for de mais profundo.
Cancele esse comando de amargura
e clique todo dia
o ícone Ternura.


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sábado, 20 de março de 2010

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS




“O segredo dos seus olhos” é – como você que gosta de cinema provavelmente já sabe – o filme que levou o Oscar de melhor produção em língua estrangeira este ano. Muito justo. Mas não é só isso. É também o melhor filme que vi em muito – mas muito! – tempo… E o segredo principal, além das interpretações inacreditáveis e de uma elegância de câmera que eu já quase havia desacostumado de esperar no cinema contemporâneo, não está nos olhos de ninguém (aliás, se o filme tem algum ponto fraco é seu título – que nem de longe te prepara para o que você vai ver), mas num elemento tão básico da própria arte de fazer filmes, que fica difícil acreditar que tanta gente pega uma câmera sem ter a certeza de que ele – este elemento – está garantido: um bom roteiro!
ZVOZ

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