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quinta-feira, 8 de abril de 2010

FOI PRA MIM?


Foi para ti
Que desfolhei a chuva
Para ti soltei o perfume da terra
Toquei no nada
E para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
E todas me faltaram
No minuto em que talhei
O sabor do sempre
Para ti dei voz
Às minhas mãos
Abri os gomos do tempo
Assaltei o mundo
E pensei que tudo estava em nós
Nesse doce engano
De tudo sermos donos
Sem nada termos
Simplesmente porque era de noite
E não dormíamos
Eu descia em teu peito
Para me procurar
E antes que a escuridão
Nos cingisse a cintura
Ficávamos nos olhos
Vivendo de um só
Amando de uma só vida
=
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sábado, 27 de março de 2010

EU ERA O SOL

Em silêncio nos olhávamos por cinco, dez minutos


Ela com as mãos na altura dos quadris

Agarrando, torcendo a própria saia

E corava pouco à pouco até ficar bem vermelha

Como se em dez minutos passasse por seu rosto uma tarde de sol

A um palmo de distância dela, eu era o maior homem do mundo

Eu era o Sol




Chico Buarque
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O RELÓGIO DA MENTIRA

 
Um cidadão morreu e foi para o céu. Enquanto estava em frente a São Pedro  nos Portões Celestiais, viu uma enorme parede com relógios atrás dele e  perguntou:
- O que são todos aqueles relógios?
  São Pedro respondeu:
- São Relógios da Mentira. Todo mundo na Terra tem um Relógio da Mentira.
 Cada vez que você mente os ponteiros se movem mais rápido. 
- Oh! -  exclamou o cidadão.
- De quem é aquele relógio ali?
- É o de Madre Teresa. Os ponteiros nunca se moveram, indicando que ela  nunca mentiu. 
- E aquele, é de quem?
- É o de Abraham Lincoln. Os ponteiros só se moveram duas vezes,  indicando que ele só mentiu duas vezes em toda a sua vida. 
- E o Relógio do Lula, também está aqui?
- Ah! O do Lula está na minha sala.
- Ué - espantou-se o cidadão. Por quê?
E São Pedro, rindo, respondeu:

- ESTOU USANDO COMO VENTILADOR DE TETO...
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quinta-feira, 25 de março de 2010

SOLIDÃO, POR NIETZCHE


Odeio quem me rouba a solidão sem em troca

me oferecer verdadeiramente companhia.

Por não prezarem as coisas que prezo!

Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente,

olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou

e que meu único companheiro é o tempo.



Quando Nietzsche Chorou


Companhia é :

Compartilhas dos mesmos gostos

Se fazer ouvir

E saber ouvir

Entender o outro

Mesmo que seja diferente

O seu modo de ver

De ser e sentir

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terça-feira, 23 de março de 2010

VIAJORES


Para minha querida amiga Sissi.
Partida e Chegada

Quando observamos, da praia,
um veleiro a afastar-se da costa,
navegando mar adentro,
impelido pela brisa matinal,
estamos diante de um espetáculo
de beleza rara.

O barco, impulsionado
pela força dos ventos,
vai ganhando o mar azul
e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e
só podemos contemplar
um pequeno ponto branco
na linha remota e indecisa,
onde o mar e o céu se
encontram.

Quem observa o veleiro sumir
na linha do horizonte,
certamente exclamará:
"já se foi".
Terá sumido?
Evaporado?

Não, certamente.
Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo
tamanho e com a mesma
capacidade que tinha quando
estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes
de levar ao porto de destino
as cargas recebidas.

O veleiro não evaporou, apenas
não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante
em que alguém diz:
já se foi",
haverá outras vozes,
mais além,a afirmar:
"lá vem o veleiro".
Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando
a preciosa carga de um amor
que nos foi caro, e o vemos sumir
na linha que separa o visível
do invisível dizemos:
"já se foi".
Terá sumido?
Evaporado?

Não, certamente.
Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua
o mesmo.
Sua capacidade mental
não se perdeu.

Suas conquistas seguem
intactas, da mesma forma que
quando estava ao nosso lado.
Conserva o mesmo afeto
que nutria por nós.

Nada se perde, a não ser
o corpo físico de que não mais
necessita no outro lado.
E é assim que, no mesmo
instante em que dizemos:
já se foi", no mais além,
outro alguém dirá feliz:
"já está chegando".

Chegou ao destino levando
consigo as aquisições feitas
durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe
nem oferece mudanças
espetaculares, pois a natureza
não dá saltos.

Cada um leva sua carga
de vícios e virtudes, de afetos e
desafetos, até que se resolva
por desfazer-se do que julgar
desnecessário.

A vida é feita de partidas
e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece
ser a partida, para outros
é a chegada.

Um dia partimos do mundo
espiritual na direção do
mundo físico; noutro partimos
daqui para o espiritual, num
constante ir e vir,
como viajores da imortalidade
que somos todos nós.
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DIGITA-ME


Digite no teclado do meu corpo
mensagens de carinho.
Acesse o diretório de minh'alma
teclando de mansinho.
Copie o seu arquivo de emoção
no disquete azul dos meus desvelos
onde está formatado o coração.
Chame o meu programa favorito
restaure o documento dos meus sonhos
e escolha o mais bonito.
Traga o cursor do pensamento
para o bloco marcado de esperança
e grave na memória de sua vida
Amor e Dança.
Salve tudo o que é texto de alegria
Configure o que for de mais profundo.
Cancele esse comando de amargura
e clique todo dia
o ícone Ternura.


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sábado, 20 de março de 2010

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS




“O segredo dos seus olhos” é – como você que gosta de cinema provavelmente já sabe – o filme que levou o Oscar de melhor produção em língua estrangeira este ano. Muito justo. Mas não é só isso. É também o melhor filme que vi em muito – mas muito! – tempo… E o segredo principal, além das interpretações inacreditáveis e de uma elegância de câmera que eu já quase havia desacostumado de esperar no cinema contemporâneo, não está nos olhos de ninguém (aliás, se o filme tem algum ponto fraco é seu título – que nem de longe te prepara para o que você vai ver), mas num elemento tão básico da própria arte de fazer filmes, que fica difícil acreditar que tanta gente pega uma câmera sem ter a certeza de que ele – este elemento – está garantido: um bom roteiro!
ZVOZ

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sexta-feira, 19 de março de 2010

DO QUE CARECEMOS?


Não é da luz do sol que carecemos.

Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e,

afinal, nós pouco aprendemos a ver.

O mundo necessita ser visto sob outra luz:

a luz do luar; essa claridade que cai com respeito e delicadeza.

Só o luar revela o lado feminino dos seres.

Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre.

Necessitamos não do nascer do Sol.

Carecemos do nascer da Terra.



Mia Couto
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segunda-feira, 15 de março de 2010

A ESTALAGEM DA VIDA

 
Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até
que chegue a diligência do abismo.
Não sei onde me levará, porque não sei nada.
Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela;
poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros.
Não sou, porém, nem impaciente nem comum.
Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim.
Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem,
e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
=
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sábado, 13 de março de 2010

TU TENS UM MEDO

 
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.Na dúvida.No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.Na tristezaNa dúvida.No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.E se vai, ele mesmo.
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,Difícil,O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Esquecidos
Enganados
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor
E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu,
que é eterno.
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BEBIDO LUAR

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen -tela de Alphonse Osbert
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PENSANDO EM TI



Em quem pensar, agora, senão em ti?
Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,
e trouxeste amanhã da minha noite.
(...)
ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um
apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.
Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,
ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
mesmo esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido de irmos contra o tempo,
para ganhar o tempo que o tempo nos rouba.
(...)
Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,
até ao fundo do mundo que me deste.

Nuno Júdice
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terça-feira, 9 de março de 2010

EU SINTO VOCÊ

"Toco sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca,
vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão,
como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse,
e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.
Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo,
a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, uma boca eleita entre todas,
com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto,
e que por um acaso que não procuro compreender coincide com a sua boca,
que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope,
olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores,
se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os ciclopes se olham,
respirando confundidos, as bocas se encontram e lutam debilmente,
mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes,
brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem
com um perfume antigo e um grande silêncio.
Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo,
acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo,
enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores,
de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos,
a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego,
essa instantânea morte é bela.
E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura,
e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água. "

Júlio Cortazar

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sábado, 6 de março de 2010

ANIVERSÁRIO DO MARCOS

"Para aqueles que viajam, elas são guias ;
para outros, não são senão pequenas luzes;
para os sábios, constituem-se em desafiantes problemas;
para os homens de negócios podem ser de ouro.
Todas essas estrelas se calam.
Mas tu terás uma estrela diferente
porque eu habitei numa delas e, ao rir,
será para ti com o se todas as estrelas rissem também
e tu terás estrelas que sabem rir.
Teus amigos se surpreenderão
vendo-te olhar o céu e tu dirás.
Ah! É verdade, as estrelas me fazem sempre rir."
 
Minhas sinceras homenagens ao meu querido irmão Marcos. Mais um aniversário. Mais uma etapa nesta vida. Que Deus na sua infinita bondade continue lhe cobrindo de todas as bençãos, e que as estrelas sempre possam iluminar o seu caminho.
Luiz Negro 
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sexta-feira, 5 de março de 2010

INICIATIVA E ACABATIVA

 

Isto é um teste de personalidade que poderá alterar a sua vida. Portanto, preste muita atenção.
Iniciativa é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias.
Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.
Acabativa, é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim.
Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um: os empreendedores, os iniciativos e os acabativos - sem contar os burocratas.

* Empreendedores são aqueles que têm iniciativa e acabativa. Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.

* Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática. São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas. São famosas as histórias de economistas que nunca assinaram uma promissória. Acabativa é o ponto fraco desse grupo.

* Acabativos são aqueles que gostam de implantar projetos. Sua atenção vai mais para o detalhe do que para a teoria. Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação. Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.

Leitura completa em: Sthephen Kanitz
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quarta-feira, 3 de março de 2010

BESOS

 
O desejo que em viço

os abriu

ainda os não beijou


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domingo, 28 de fevereiro de 2010

AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
 
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
 
A ausência é um estar em mim.
 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O ÚLTIMO POR DO SOL

 

O Último Pôr-do-sol


A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.

Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois

Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas
 
Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu
 

Lenine

Composição: Lenine
 
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EM ORAÇÃO


Virgem Puríssima, que sois a Saúde dos Enfermos, o Refúgio dos Pecadores, a Consoladora dos Aflitos e a Despenseira de todas as graças, na minha fraqueza e no meu desânimo apelo hoje, para os tesouros da vossa divina misericórdia e bondade e atrevo-me a chamar-vos pelo doce nome de Mãe. 
Sim, ó Mãe, atendei-me em minha enfermidade, dai-me a saúde do corpo para que possa cumprir os meus deveres com ânimo e alegria, e com a mesma disposição sirva a vosso Filho Jesus e agradeça a vós, Saúde dos Enfermos. Nossa Senhora da Saúde, rogai por nós. 
Amém.


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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SAUDADES DO MEU PAI 17 DE JULHO 1997

Pai,
Toma minhas mãos, que são parte da obra que Tu assinaste: eu mesmo.
Olha as linhas que são os traços do meu destino e reforma-as na medida do meu merecimento.
Olha minhas digitais que indicam não haver ninguém igual a mim, o que prova a Tua originalidade...
...examina-as e julga os crimes que porventura eu tenha cometido.

Pai,
Vê nas minhas mãos o histórico das minhas doações e até que ponto elas foram válidas.
Vê também o histórico de tudo o que recebi e julga se sou suficientemente grato.

Pai,
Nas minhas mãos estão as marcas dos serviços prestados... vê se trabalhei e tenho trabalhado da forma que Tu aprovas.
Vê quantos foram os toques de afeto e de agressão e apresenta-me o saldo.
Julga as palavras escritas em meu diário de alegrias e de aflições.

Pai,
Vê os apertos de mãos que já dei, os acenos de adeus e os sinais de sim e de não.
Estão sob Teu juízo minha honestidade e minhas dores.

Pai,
Toma minhas mãos...
Sente como se através delas o meu coração falasse.
Diz se posso olhar-Te nos olhos ou com elas esconder a minha face.


Homenagem à Luiz Gabriel, meu Pai.

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