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segunda-feira, 5 de abril de 2010

LIBERTO ENCONTRO



Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
=
Sohia de Mello Breyner
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quinta-feira, 25 de março de 2010

EU VOU CUIDAR DO MEU JARDIM

As borboletas do meu jardim voam livres

E voam longe

E voltam sempre

Pois não é mais do que o amor que quero delas

E as reconheço em qualquer jardim

Dentre todas as outras borboletas

Todas as que sonho em ter voando em meu jardim



Texto adaptado do filme "Lavoura Arcaica"
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segunda-feira, 15 de março de 2010

A ESTALAGEM DA VIDA

 
Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até
que chegue a diligência do abismo.
Não sei onde me levará, porque não sei nada.
Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela;
poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros.
Não sou, porém, nem impaciente nem comum.
Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim.
Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem,
e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
=
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quarta-feira, 10 de março de 2010

"FERNANDOS PESSOAS"


Nascido em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888.
Adquiriu o gosto pela poesia lendo poetas de língua inglesa.
Matricula-se, então, no Curso Superior de Letras, que logo abandona, e entra em contato com os grandes escritores da língua portuguesa.
Fernando Pessoa nunca teve, em vida, o reconhecimento que merecia.
Viveu modestamente, em relativa obscuridade. Em vida, teve apenas dois livros publicados: Antinous e 35 Sonnets ambos em 1918.
Desde cedo, Fernando Pessoa inventara seus companheiros.
Imagina os heterônimos Charles Robert Anon, H. M. F. Lecher e Alexander Search e outras figuras menores.
Mas seria no dia 8 de março de 1914 que os heterônimos começariam a aparecer com toda a força. Neste dia, Pessoa escreve, de uma só vez, os 49 poemas de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro.
Escreve também os seis poemas de Chuva Oblíqua, que assina com seu próprio nome.
Logo, inventaria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano, Ricardo Reis.
Um semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, só em 1982 teve sua obra, O Livro do Desassossego, composta por fragmentos de prosa poética, publicada.
No dia 30 de novembro de 1935, Fernando Pessoa morre de cirrose hepática.
Sua última frase foi escrita em inglês:

“I know not what tomorrow will bring” ou
Eu não sei o que o amanhã trará”.
=
O amanhã trouxe para Fernando Pessoa uma admiração crescente.
Suas obras foram aos poucos sendo publicadas e ele é considerado hoje, ao lado de Camões, um dos dois maiores poetas portugueses de todos os tempos.
Nenhum poeta, em língua portuguesa, obteve tanto prestígio, e o obscuro e modesto lisboeta tornou-se, assim, um nome importante em todo o mundo.
Graças ao poder da palavra. Graças à magia da poesia.

Heterônimos
Mais do que meros pseudônimos, outros nomes com os quais um autor assina sua obra, os heterônimos são invenções de personagens completos, que têm uma biografia própria, estilos literários diferenciados, e que produzem uma obra paralela à do seu criador.
-
Resumo do texto de Frederico Barbosa
=
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mudança ! Mudar ?


O que adianta só eu mudar, e o outro?

Grandes mudanças estão para acontecer no Universo inteiro, ouvimos isso o tempo todo. Sabemos que não serão tempos de grandes confrontos para aqueles que têm a paz no coração e na mente, que acreditam nas mudanças porque sabem que esse é um processo cósmico, e que nada e ninguém pode ficar estagnado.
Que não acreditam somente porque estão vendo e ouvindo as notícias, divulgadas pela mídia, sobre catástrofes e alterações climáticas, e, sim, porque sabem em seus corações, que a evolução do homem permitida pelo Criador, precisa ocorrer, independente da nossa vontade e aproveitam ao máximo as oportunidades oferecidas por Ele.

Isso nos remete à necessidade de tomar a única decisão esperada pelos Seres de Luz que estão no comando dessas mudanças: viver de modo novo, onde cada atitude diferente significa que aprendemos com os erros e avançamos corajosamente, sem perder a chance de subir mais alguns degraus na escada da vida.
Para viver o novo precisamos de atenção e movimento constantes, sem rotinas. Largar velhos hábitos que até então paralisavam nossas ações.
Sermos perseverantes, pacientes, amorosos, e termos uma profunda compreensão da necessidade de viver de acordo com uma nova realidade e, não, somente conhecê-la no mental. Viver o novo só na teoria, na intenção, não adianta, isso exige movimento, ação e consciência clara de como realmente estamos agindo, pensando e sentindo. Quando se aprende algo novo, deve-se conhecer cada etapa, meditar constantemente para dar um passo, vigiar os pensamentos, enfim... Mudar exige consciência!
Podemos cometer muitos erros, e eles serão importantes tanto para o aprendizado, como para testar nossa vontade, persistência e confiança, porque a dúvida fará parte dessa experiência até que consigamos dominar essa arte.
Nunca deixar que a preocupação por parecermos estranhos (as) tome conta de nosso ser, pois, as mudanças estão acontecendo até na estrutura celular do ser humano e é inevitável sentirmos alterações no físico e sensações diferentes no emocional.
Só precisamos aceitar e acompanhar o fluxo do plano.

Falar de mudanças é fácil, permiti-las não.
Enquanto ainda deixamos que velhos padrões de rigidez, inflexibilidade, preconceitos, apegos, e dificuldades de aceitação façam parte de nós, impregnamos nossa personalidade.
Por que resistimos tanto às mudanças? Alguns de nós, passaram a vida ouvindo que "pau que nasce torto, morre torto"!
Criamos uma crença muito cômoda para justificar aquilo que ainda nos traz vantagens.
Na sociedade caótica alguns podem perder o poder sobre o outro ao mudar, e, esse outro, talvez perca a oportunidade de ser vítima, pois precisa do algoz.
Também a competição constante entre os homens para ver quem brilha mais, acaba, com a mudança de paradigmas!
E aqueles que continuam nos velhos moldes ficarão perdidos...com quem irei disputar? Mudar exige aceitar o outro como ele é, e, impede as pessoas de promoverem o novo em suas vidas, por vaidade, orgulho, dependência, comodismo, falta de consciência e compreensão clara.
Ceder é o maior problema! Ouvimos ainda algumas pessoas dizerem: ah! Já estou velho demais pra isso! Cada um usa o argumento que tem, pra continuar como está.
Alguns ainda questionam: o que adianta um só mudar, se o outro não se propõe a fazer o mesmo? Se numa parceria precisamos de dois ou mais, qual será a diferença no resultado?
Se estivermos fazendo isso por nós mesmos, sem nos importarmos com o outro, faz toda a diferença. Vamos ao médico por nós ou pelo outro?
Quando sentimos essa necessidade, não somos nós o doente? Se algo não vai bem e sentiu vontade de mudar, faça você o movimento.
Ninguém toma consciência junto, cada um tem seu ritmo, seu processo, seu próprio tempo. Alguém tem que dar o 1º passo. Essa é a 1ª etapa: ter consciência, promover uma ação. Se o médico indicar um remédio que demora pra fazer efeito, desistimos, desanimamos? Aí, entra a persistência. Ainda pode acontecer de não dar certo na 1ª tentativa. Voltamos e pedimos para mudar o medicamento... isso é confiança. Precisamos considerar também que o médico pode errar, ele é humano, continuamos doentes, ou procuramos outro? Claro, que o mais lógico é procurar alguém que atenda nossas necessidades... isso é fluir com a vida! Até que fiquemos curados.

Na vida seria diferente? A dinâmica é a mesma: vontade, persistência, confiança e fluidez. Se não der certo, nós mudamos, fizemos a nossa parte, e sem colocar expectativas no outro. O universo irá conspirar a nosso favor, tanto promovendo uma reação, uma atitude semelhante nos que estiverem à nossa volta, fazendo com que a lei de atração possa agir e assim passamos a atrair tudo àquilo que esteja em harmonia conosco.
Podemos usar para equilibrar esse momento a energia Branca do 4º Raio, da Harmonia através dos Conflitos, que nos faz perceber o campo de consciência no qual nos encontramos limitada, e essa limitação acontece com todos nós, quando atingimos determinado grau de consciência.
Ela nos leva a tal estado de insatisfação, que adquirimos a coragem para romper as barreiras por nós mesmos construídas, impulsionando-nos a mudar de vida.
E essas forças contrárias são necessárias, para que a alma realize suas experiências, pois, se não conhecermos a sombra, não conseguiremos identificar a luz. Adquirimos a estrutura e a coragem de mudar toda nossa vida de forma construtiva.

por El Morya Luz da Consciência - nucleo.elmorya@terra.com.br

Post: Zuil voustag


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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Trabalhar e sofrer ( Reflexão II )



Este artigo da Lya Luft deve ser lido. Eu não podia deixar de publicar (re publicar) um assunto tão relevante.

Sua historicidade:

Quem é Lya Luft?
Uma mulher gaúcha, brasileira, que faz cada vez mais, aos sessenta e um anos, o que desde os três ou quatro desejava fazer: jogar com as palavras e com personagens, criar, inventar, cismar, tramar, sondar o insondável. "Tento entender a vida, o mundo e o mistério e para isso escrevo. Não conseguirei jamais entender, mas tentar me dá uma enorme alegria. Além disso, sou uma mulher simples, em busca cada vez mais de mais simplicidade. Amo a vida, os amigos, os filhos, a arte, minha casa, o amanhecer. Sou uma amadora da vida.

O que você nunca vai esquecer?
Escutar o vento e a chuva nas árvores do imenso jardim que cercava a casa de meu pai, na minha infância". Puro maravilhamento.

O que lhe causa repugnância?
Preconceito, hipocrisia.

Vale a pena escrever?
"Não escrevo porque “valha a pena”, mas porque me faz feliz, simplesmente".

O que falta à literatura brasileira?
"Nada, não falta nada. Ela é o que é, simplesmente, cheia de graça, desgraça, florescente, múltipla, lutando com a crise econômica que atinge também as editoras, mas, como não se escreve para ficar rico, tudo bem".

E Deus?
"Deus eu imagino como força de vida: luminosa, positiva, imperscrutável".

E o Brasil?
Brasil cujo jeito é parecer não ter jeito. "Não quero jamais ter de morar longe dele. Aqui tudo é possível. E tanto está ainda por fazer".

O que fazer para reverter esse quadro de miséria?
"Que os responsáveis por isso criem vergonha na cara".

Quem não merece respeito algum de ninguém?
"Todos merecem algum respeito, no mínimo compaixão".

Você costuma rezar?
"Não tenho nenhuma religião instituída, mas tenho uma profunda visão “religiosa”, sagrada, da natureza, das pessoas, do outro".

Qual é seu momento ideal para escrever?
"O momento em que meu livro quer ser escrito. Mas normalmente produzo mais de manhã bem cedo. Gosto de ver o dia nascer, aqui na minha mesa de trabalho e do meu computador".

Se confessa uma mulher tímida, embora não pareça.
Em 1987 lança "Exílio"; em 1989 o livro de poemas "O Lado Fatal" e, em 1996, o premiado "O Rio do Meio" (ensaios), considerado a melhor obra de ficção do ano.


Eis o Artigo recente na Revista Veja

Trabalhar e sofrer (Lya Luft)

"Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente estéreis, o trabalho pode aviltar humilhar, explorar e solapar qualquer dignidade"
O trabalho “enobrece" é uma dessas frases feitas que a gente repete sem refletir no que significam, feito reza automatizada. Outra é "A quem Deus ama, ele faz sofrer", que fala de uma divindade cruel, fria, que não mereceria uma vela acesa sequer.

Sinto muito: nem sempre trabalhar nos torna mais nobres, nem sempre a dor nos deixa mais justos, mais generosos. O tempo para contemplação da arte e da natureza, ou curtição dos afetos, por exemplo, deve enobrecer bem mais. Ser feliz, viver com alguma harmonia, há de nos tornar melhores do que a desgraça. A ilusão de que o trabalho e o sofrimento nos aperfeiçoam é uma idéia que deve ser reavaliada e certamente desmascarada.

O trabalho tem de ser o primeiro dos nossos valores, nos ensinaram, colocando à nossa frente cartazes pintados que impedem que a gente enxergue além disso. (Sic) Eu prefiro a velha dama esquecida num canto feito uma mala furada, que se chama ética. Palavra refinada para dizer o que está ao alcance de qualquer um de nós: decência. Prefiro, ao mito do trabalho como única salvação, e da dor como cursinho de aperfeiçoamento pessoal, a realidade possível dos amores e dos valores que nos tornariam mais humanos. (Sic) Para que se trabalhe com mais força e ímpeto e se viva com mais esperança.

O trabalho que dá valor ao ser humano e algum sentido à vida pode, por outro lado, deformar e destruir. O desprezo pela alegria e pelo lazer espalha-se entre muitos de nossos conceitos, e nos sentimos culpados se não estamos em atividade, na cultura do corre-corre e da competência pela competência, do poder pelo poder, por mais tolo que ele seja.





Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente estéreis, o trabalho pode aviltar, humilhar, explorar e solapar qualquer dignidade, roubar nosso tempo, saúde e possibilidade de crescimento. Na verdade, o que enobrece é a responsabilidade que os deveres, incluindo os de trabalho, trazem consigo. O que nos pode tornar mais bondosos e tolerantes, eventualmente, nasce do sofrimento suportado com dignidade, quem sabe com estoicismo. Mas um ser humano decente é resultado de muito mais que isso: de genética, da família, da sociedade em que está inserido, da sorte ou do azar, e de escolhas pessoais (essas a gente costuma esquecer: queixar-se é tão mais fácil).

Quanto tempo o meu trabalho – se é que temos escolha, pois a maioria de nós dá graças a Deus se consegue trabalhar por um salário vil – me permite para lazer, ou o que eu de verdade quero, se é que paro para refletir sobre isso? Quanto tempo eu me dou para viver? Quanto sobra para meu crescimento pessoal, para tentar observar o mundo e descobrir meu lugar nele, por menor que seja, ou para entender minha cultura e minha gente, para amar minha família?

E, se o luxo desse tempo existe, eu o emprego para ser, para viver, ou para correr atrás de mais um trabalho a fim de pagar dívidas nem sempre necessárias? (Sic) Ou apenas não me sinto bem ficando sem atividade, tenho de me agitar sem vontade, rir sem alegria, gritar sem entusiasmo, correr na esteira além do indispensável para me manter sadio, vagar pelos shoppings quando nada tenho a fazer ali e já comprei todo o possível – muito mais do que preciso, no maior número de prestações que me ofereceram? E, quando tenho momentos de alegria, curto isso ou me preocupo: algo deve estar errado?

Servos de uma culpa generalizada, fabricamos caprichosamente cada elo do círculo infernal da nossa infelicidade e alienação. Essas frases feitas, das quais aqui citei só duas, podem parecer banais. Até rimos delas, quando alguém nos leva a refletir a respeito. Mas na verdade são instrumento de dominação de mentes: sofra e não se queixe, não se poupe, não se dê folga, mate-se trabalhando, seja humilde, seja pobre, sofrer é nosso destino, darás à luz com dor – e todo o resto da tola e desumana lavagem cerebral de muitos séculos, que a gente em geral nem questiona mais. (Sic)

Fonte: Leia o artigo na integra Revista VEJA
publicado por zuil voustag
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