quinta-feira, 25 de março de 2010

ESVOAÇAR


Avian Angel
© Sandy Powers



Porque certas palavras se repetem no caminho
António Ramos Rosa, O Centro na Distância, p. 43

GENTILEZA GERA GENTILEZA

Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

 
O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta
 
 

EM NOSSO NOME



Sunny Morning
© Andre Arment


O que eu fiz de mais puro
como uma estrela do ar
como um pássaro de uma página
como uma flor de um fruto
como uma onda embriagada
que nasce de uma nuvem de cinza
ou de uma solitária nuvem
que voga na solidão do mundo
no esplendor branco de um Verão
como o grito mais límpido
nasce de um peito oprimido




António Ramos Rosa, Vasos Comunicantes, Diálogo Poético com Gisela Ramos Rosa (p. 114, 2006)

PARA MINHA CONVERSÃO

 
(...)
Tu me bebes

e eu me converto na tua sede.

Meus lábios mordem,

meus dentes beijam,

minha pele te veste

e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu

e em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me no teu leito

quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te

quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, vôo de semente,

para em mim mesmo te plantar

menos que flor:

simples perfume,

lembrança de pétala

sem chão onde tombar.

Teus olhos inundando os meus

e a minha vida, já sem leito,

vai galgando margens

até tudo ser mar.

Esse mar que só há depois do mar.

Mia Couto

SOLIDÃO, POR NIETZCHE


Odeio quem me rouba a solidão sem em troca

me oferecer verdadeiramente companhia.

Por não prezarem as coisas que prezo!

Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente,

olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou

e que meu único companheiro é o tempo.



Quando Nietzsche Chorou


Companhia é :

Compartilhas dos mesmos gostos

Se fazer ouvir

E saber ouvir

Entender o outro

Mesmo que seja diferente

O seu modo de ver

De ser e sentir

Reblog this post [with Zemanta]

CONTEMPLAÇÃO

EU VOU CUIDAR DO MEU JARDIM

As borboletas do meu jardim voam livres

E voam longe

E voltam sempre

Pois não é mais do que o amor que quero delas

E as reconheço em qualquer jardim

Dentre todas as outras borboletas

Todas as que sonho em ter voando em meu jardim



Texto adaptado do filme "Lavoura Arcaica"
Reblog this post [with Zemanta]