quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A Dor sem fim!


A MASSA

A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino/bezerro pisado
No curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
À sombra do mal-assombrado:
É a dor de nem poder chorar

Moinho de homens
Que nem jerimuns amassados
Mansos meninos domados
Massa de medos iguais

Amassando a massa
A mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga
A massa dos homens normais

Quando eu lembro da massa da mandioca, mãe
Da massa
Eu lembro da massa da mandioca, mãe
Da massa

A massa que eu falo é a que passa fome, mãe
Da massa
A massa que planta a mandioca, mãe
Da massa

Lelé, meu amor, lelé
No cabo da minha enxada
Não conheço coroné

Torna a repetir, meu amor, ai, ai ,ai....
O guarda civil não quer a roupa no quarador
Meu Deus onde vão parar
Parar essa massa?

Nenhum comentário:

Postar um comentário