
A MASSA
A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino/bezerro pisado
No curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
À sombra do mal-assombrado:
É a dor de nem poder chorar
Moinho de homens
Que nem jerimuns amassados
Mansos meninos domados
Massa de medos iguais
Amassando a massa
A mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga
A massa dos homens normais
Quando eu lembro da massa da mandioca, mãe
Da massa
Eu lembro da massa da mandioca, mãe
Da massa
A massa que eu falo é a que passa fome, mãe
Da massa
A massa que planta a mandioca, mãe
Da massa
Lelé, meu amor, lelé
No cabo da minha enxada
Não conheço coroné
Torna a repetir, meu amor, ai, ai ,ai....
O guarda civil não quer a roupa no quarador
Meu Deus onde vão parar
Parar essa massa?
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