
O Cálice
O conceito mais popular do Graal é a descrição de um cálice, o qual Jesus Cristo teria usado na Última Ceia e José de Arimatéia teria recolhido Seu sangue, escorrido da chaga aberta pelo centurião Longino durante sua crucificação. O sangue fora recolhido quando este preparava Seu corpo para enterro, após Sua crucificação no Calvário.
" Ao chegarem a Jesus, vendo-o já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados perfurou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água "
Jo19:34 -35
É fato que a lenda do Santo Graal não resume-se apenas nestes episódios narrados pela Bíblia. Muitas são as teorias da origem do termo Graal, as quais procuraremos abordá-las ao longo deste trabalho, que vão desde jarros e caldeirões sagrados utilizados por Celtas até pedras mitológicas descritas filosóficamente.
A Igreja Católica não dá ao cálice mais do que um valor simbólico e acredita que o Graal não passa de literatura medieval, apesar de reconhecer que alguns personagens possam realmente haver existido. Alguns autores acreditam que as origens pagãs do cálice tenham causado descontentamento à Igreja, pois existem também teses de que os romances medievais que descrevem primordialmente o Santo Graal tenham sofrido em seus textos forte influência de elementos da cultura de povos pagãos.
Apesar do encorajamento que dava às outras histórias de milagres, ao Graal a Igreja não deu nenhum apoio, embora esta lenda seja a mais surpreendente do ponto de vista pictórico. Nas representações de José de Arimatéia em vitrais de igrejas, ele aparece segurando não um cálice, mas dois frascos ou galheteiros. Alguns tomam o cálice de ágata que está na igreja de Valência, Espanha, como aquele que teria servido Cristo, mas, aparentemente, a peça data do século XIV.
Cálice
Gilberto Gil/Chico Buarque - 1973
Notas
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
Nenhum comentário:
Postar um comentário