
Há gente que espera de olhar vazio na chuva, no frio, encostada ao mundo a quem nada espanta nenhum gesto nem raiva ou protesto nem que o sol se vá perdendo lá ao fundo.
Há restos de amor e de solidão na pele, no chão, na rua inquieta os dias são iguais já sem saudade nem vontade aprendendo a não querer mais do que o que resta e a sonhar de olhos abertos nas paragens, nos desertos a esperar de olhos fechados sem imagens de outros lados a sonhar de olhos abertos sem viagens e regressos a esperar de olhos fechados outro dia lado a lado.
Há gente nas ruas que adormece que se esquece enquanto a noite vem é gente que aprendeu que nada urge nada surge porque os dias são viagens de ninguém a sonhar de olhos abertos nas paragens, nos desertos a esperar de olhos fechados sem imagens de outros lados a sonhar de olhos abertos sem viagens e regressos
a esperar de olhos fechados outro dia lado a lado aprende-se a calar a dor a tremura, o rubor o que sobra de paixão aprende-se a conter o gesto a raiva, o protesto e há um dia em que a alma nos rebenta nas mãos.
(Mafalda Veiga- TATUAGEM)
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